Quem vê caras não vê profissões


strange padlock faces..., originally uploaded by floresita.


Vou citar-me a mim mesmo (assim não morro sem alguem me ter citado; tenho a certeza de que os textos estão relacionados; chamo a atenção para algo já escrito por mim): "nunca repararam como às vezes parece que conseguimos olhar muito bem para as pessoas comuns que por nós passam comunmente no dia-a-dia e encontrar traços comuns a outras pessoas por nós já vistas? como se houvesse uns quantos moldes a partir dos quais todas as pessoas são feitas... [in "uncanny / strage deja vu"]

Ás vezes parece que determinadas caras-padrão, com um mínimo de características físicas em comum, correspondem a determinados tipos sociais, profissões ou maneiras de estar na vida. Passava hoje pela rua a olhar para as caras (porque me esqueci do analgésico que costuma ser o leitor de mp3) e reparei como há caras tão semelhantes a outras. Os mesmos sinais, os lábios parecidos, o olhar, cabelos lisos ou encaracolados. E as roupas de uns e outros, quando semelhnates em físico, acabam por corresponder; e a música que ouvem, os filmes que veem, as palavras que dizem...

Será que determinados modelos de cara/corpo se encaixam em profissões e tipos sociais? (como se o tipo social chamasse esse corpo a si, como uma vocação)
Ou será que quando nos encaixamos num dado tipo social o nosso corpo e rosto se adapta, moldando o físico à imagem do psicológico? (no fundo, criando uma "imagem e representação" do perfil psico-social)

É uma questão que me continua a assaltar... a repetição, o padrão... seremos todos feitos de meia dúzia de moldes, como no "A Brave New World" do Huxley?

Será que os "corpos dóceis" criados pela modernidade (expressão de M.Foucault) são mesmo transformados fisicamente? Será que a sociedade cria corpos através dos papéis distribuídos? (e mais uma vez o livro de Huxley, em que tipos semelhantes à nascença eram modificados em laboratório para corresponderem fisicamente e intelectualmente ao seu futuro papel social)

Sugiro meditação sobre o assunto...

Exercício


Apple Bluetooth Keyboard, originally uploaded by Amber & Adolph.


Proponho um díficil exercício:
ao mesmo tempo que vires as letras que escrevi no ecrã, encontra a correspondente no teclado:

D
x
C

[se olhaste para o teu falhaste... não podes olhar "ao mesmo tempo" para o ecrã e teclado. Pergunta do dia: para que servem dois olhos se não conseguem ver coisas totalmente diferentes?Mas que fraco processamento cerebral nos deram...]

Big small things; Small big things. (to think and to sink)


, originally uploaded by P!xêĽ.


O ponto de vista é fundamental. A maneira como abordamos uma questão pode mandar uma conversa entre duas pessoas abaixo pelo simples facto de não se perceberem as tomadas de vistas. Não é que tenhamos de estar num mesmo ponto a olhar para o objecto em questão; é importante que saibamos que o objecto abordado é o mesmo, ainda que um veja a fachada e outro espreite a lateral.

Se estabelecermos bem as bases comuns (objecto) e as diferenças de abordagem a comunicação argumentativa entre duas pessoas muda completamente, para melhor.

É possível tratar um mesmo assunto de várias maneiras, é possível tratar vários assuntos da mesma maneira --> e é nisto que a ciência da Sistémica tem tanta beleza. O mais importante é mesmo a abordagem. E deve ser aí, na falta de se estabelecer claramente as diferentes abordagens, que grande parte das conversas e argumentações falhadas falham.

Não temos todos de ver em prespectiva, outros podem querer ver a planta do edifício, com a distância que isso implica. Podemos até falar de várias camadas de um assunto. E até aqui é importante definir em que camada estamos. Falamos da proporção? Da estética? Da funcionalidade? De um gosto/não gosto?

Nem tudo é de se aceitar e longe de mim defender um relativismo absoluto. Mas estar abertos às várias abordagens possíveis das várias camadas (quando as há) de um dado assunto é importantíssimo para que a comunicação se dê em níveis mais complexos.

Do revisionismo aos paradoxos do lado dos "bons"


E de repente o Sr. Mahmoud Ahmadinejad tinha razão e na U.E. passava a estar proibido negar ou duvidar do que nos habituámos a ver como a História da Europa nos anos 40...

De facto, a União prepara-se para aprovar leis neste sentido, vedando a liberdade de expressão e até de investigação para o futuro. Pensemos na Batalha de Aljubarrota: milhares de espanhóis a perder de vista e um punhado de portugueses, uma padeira combatente, etc... Mitos que a investigação posterior desfez, recolocando a verdade histórica.

Se for proibido apresentar novas verdades tudo o que teremos é a história feita nos dias que se seguiram à queda da Alemanha. História feita pelos dois países que haviam de dominar a cena política mundial nas décadas seguintes.

Não sou obviamente defensor dos revisionistas radicais que pretendem negar um grave estremínio racista ocorrido na Europa mas acho que a liberdade de expressão deve ser sempre concedida. Afinal de contas, se temos tanta certeza do que aconteceu como é que pode prejudicar a nossa sanidade colectiva o facto de aparecer alguém que diga o contrário?

E não é do choque de opiniões e descobertas que vem a verdade? Porque é que não se pode investigar mais para afastar a Europa desse fantasma? Era até um sinal de respeito para os mortos às mãos do cruel regime alemão das décadas de 30 e 40 do século XX.

"a União Europeia chegou hoje a acordo para tornar o racismo e a negação do Holocausto um delito em todo o espaço europeu...", pode ler-se no Público Online
E com isto estou já noutro lado... duvidar do holocausto ou defender os palestinianos é ser antisemita; conquistar territórios com tanques e bulldozers, destruir famílias conquistando um território de outra nação é ser o quê? Imperialista? Religiosamente teimoso?

Israel parece querer na Terra Santa o seu "espaço vital", á custa de outro povo. E o que queria o lunático Adolfo quando saiu da Alemanha para a Polónia?

Ar quente e húmido


há qualquer coisa de estranho para acontecer a leste daqui...
Israel? Irão? Rússia? Coreia? Ou mais perto, em Santarém?
Sempre a Leste, indica o pêndulo.

Sou só eu ou vocês também sentem que anda por aí uma série de acontecimentos ligados e desligados mas que acabam por se ligar sempre nas cores vermelha, branca e azul? (cores de UK, USA, Russia, Coreia, Cuba...) E a questão da energia na Rússia?

Sente-se aquela coisa no ar, como nos minutos que antecedem ao tremor de terra; como se sentiu antes da Grande Guerra nos anos 10 do século transacto; como se sente sempre antes do cataclismo; como se sentiu em Hiroshima segundos antes de tudo morrer; como se anda a sentir desde o virar do século.

Faltará muito? E depois é a tal anunciada guerra com pedras e paus? Ou não restarão árvores onde arrancar os paus?

O Grande Vazio


empty quarter garage 17-6-05, originally uploaded by localsurfer.


Rub' al Khali (الربع الخالي)
Este grande deserto tem muitas histórias para nos contar, desde as contadas em HollyWood à célebre banda desenhada de Carl Barks em que Scrooge McDuck se aventura pelo deserto com so sobrinhos.

Sugiro que se pense no facto de pessoas em condições semelhantes poderem ter vidas tão diferentes. Umas são a oscilação dramática entre quente e frio, são as grandes dunas mais altas do que a torre Eiffel e os pequenos graos de areia pontuados por uma ou outra forma de vida; outras são apenas o vazio, oscilam entre quente e frio sem mais, não como o chão carregado de imensidão do Rub' al Khali mas como o seu ar, ora sofucante ora gélido.

Uns aventuram-se pelo calor do sol, sujeitos aos ataques de escorpiões experientes nas andanças do deserto, outros deixam-se ficar na primeira sombra ou oásis que encontram (vendendo agasalhos porque na sombra faz frio), fora da realidade.

Enfrentemos a realidade, esmaguemos escorpiões, aguentemos a falta de água fácil...

...chamem-nos de camelos - mas só nós atravessamos o deserto!

We were soldiers once...


General, originally uploaded by Juanvaldaro.


São milhões de contos em roupas, alimentação, logística, transportes, equipamento, propaganda, DESTRUIÇÃO

e depois...

Milhões de contos em roupas, alimentação, assistência, comunicações, habitação, propaganda, RECONSTRUÇÃO

Heróis? Heróis são os polícias e bombeiros, professores e médicos que todos os dias travam guerras ao contrário.

Mas porque raio todos gostamos na mesma da guerra quando ela não nos bate à porta? Será que o telejornal a faz parecer um filme? Ou que o filme que parece um telejornal, de tão real, acaba por destruir as separações que eram necessárias?

Devolvam o horror à guerra, ela merece ser horrorosa, merece fazer vomitar os que não participam nela e os que a encomendam.

Paz