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Pensando bem, deviamos hoje mais do que nunca saber tudo sobre o outro, conhecer a sua vida de cor (ou ajudados pela cábula digital). Não devíamos falhar um cumprimento de aniversário, um teste bem sucedido ou uma criança por nascer - a informação sobre os que nos interessam está toda na ponta dos dedos e à frente dos olhos.
No entanto, a comunicação digital é curta e ruidosa. Facilmente acabamos por ler mensagens publicamente disponíveis mas destinadas a alguém em específico, ou perceber um significado distorcido em determinado SMS. Ou calcular mal sentimentos através de um post em blog. E é assim que pensando estar iluminados seguimos frequentemente enganados e continua a não haver nada melhor que corpos em presença.
Pergunto-me se a digitalização da comunicação entre pessoas (em especial nas relações fortes de amizade/amor) não mudará para sempre a forma como percebemos os sentimentos, como os expressamos e até como sentimos. Será que caminhamos voluntariamente para o newspeak de 1984? Uma linguagem voluntariamente limitada que acaba por eliminar ou castrar os sentimentos e ambições...
Barack Obama said:
To those who cling to power through corruption and deceit and the silencing of dissent, know that you are on the wrong side of history; but that we will extend a hand if you are willing to unclench your fist.
País egoísta; pais egoistas
Eu acho piada a miúdos com piada mas não acho graça nenhuma a bebés, não consigo ficar 5 minutos a olhar para aquelas coisinhas pequenas e paradas com um sorriso idiota na cara. São projectos de humano normais e vulgares, todos com características semelhantes. Só mais tarde vão ficar homens e mulheres com características distintas, com personalidade e razoamento.
Não consigo achar piada aos rituais e obrigações que andam à volta do bebé. Além disso pode haver um conflito no que toca ao dinheiro gasto em brinquedos para a criança e para mim próprio. Quando temos um bebé a vida muda, ficamos presos, limitados.
E isto tudo parece-vos chocante porque vocês adoram bebés, são tão queridos, ternurentos, blá blá... E soa muito egoísta não querer ter filhos. É o sangue que passa para uma nova geração... e quem disse que o meu sangue presta para alguma coisa?
E depois ouvimos todos os dias os políticos e grandes teóricos: "envelhecimento populacional em Portugal, na Europa, etc. Pode parecer que aquele que não quer ter filhos é egoísta, não quer dar um pouco de si para o futuro do planeta. MAS QUE FUTURO!?

Todos os dias ouvimos falar de poluição, aquecimento global, falta de recursos, crise nos alimentos, falta de população activa nos países "ricos", excesso populacional nos "pobres", falta de petróleo, etc.
Como é que podemos resumir todos estes problemas? Excesso de população.
Reparem no gráfico da população mundial nos últimos 1600 anos.
Cada bebé que aumenta a população é um destruidor de planetas em potência. É claro que não podemos deixar de ter bebés... Mas a solução para o envelhecimento populacional não é fazer bebés europeus ou norte-americanos, é abrir as fronteiras para os bebés asiáticos e africanos. E claro, melhorar as condições de vida na origem, impedir o crescimento insustentável da população, garantir a diminuição da população à escala mundial. Não é um problema de cada país mas é assim que tem sido visto, porque nenhum político ou empresário quer dizer que os potencias clientes/eleitores são excesso e fardo. Esgotaremos o planeta mas com estilo. Mais pessoas implicam novas necessidades, mais gente para trabalhar em produção de produtos supérfluos, mais gente para entreter outra gente, mais escravos, maior divisão entre ricos e pobres, entre milionários e miseráveis.
Apresento a contagem dos milhões de pessoas do planeta Terra. Reparem na velocidade a que estamos a procriar. Como um vírus.

Deixemos a treta de perpetuar a famíia, raça, espécie. Somos uma humanidade num planeta: a população tem de ser contada e gerida à escala mundial. As Nações Unidas não podem ignorar este problema e os governos não podem multiplicar as populações infinitamente.
Ter bebés pode ser um acto de egoísmo, depende do ponto de vista. É claro que o problema não está em ter um filho, está em ter mais filhos do que pais...
Vejam esta página. Basta actualizar algumas vezes a página para perceber a dimensão da tragédia...
a minha chávena de chá
Experimentei diferentes tipos, sabores, misturas, etc. Procurei as melhores marcas e lentamente a bebida quente entrou na minha vida.
Não passa um único dia em que eu não beba uma chávena de chá, cuidadosamente preparada (o cuidado e empenho depende sempre do estado de espírito na altura). As minhas escolhas de chá dependem de vários factores: altura do dia, condição física, estado de espírito, companhia, etc. Numa típica situação de manhã tomo English Breakfast ou outro chá forte, chá preto puro - "wake up and smell the tea". Depois de almoço prefiro Ceilão ou chá verde (com limão ou menta). A noite cai e o Earl Grey é o melhor para as horas tardias - o sabor dos citrinos suaviza o que de outra maneira seria um sabor forte.
Se estiver numa disposição mais introspectiva o Earl Grey ou Lady Grey são os melhores para a meditação - observar a água a mudar de cor enquanto atravessa as folhas; sentir o calor da chávena; o fumo a subir e a invadir a alma. Quatro minutos depois temos a minha bebida preferida. Tem algo de espiritual - podemos sentir-nos fora de nós ("je suis an autre" quando bebo o meu chá sozinho). E é por isso que adoro beber chá sozinho. O tempo que as folhas ficam na água quente, a temperatura, e a maneira como a água cai sobre as folhas é muito importante para mim. Eu sei que a maior parte das vezes não faz assim grande diferença mas eu preocupo-me com os pormenores e há um factor psicológico no meu ritual.
É como uma oração diária e como eu eu não rezo, no sentido comum da palavra, há situações em que tenho este contacto com as coisas divinas - a hora do chá é uma dessas situações.
Se tens dúvidas experimenta por ti. E da próxima vez que estiveres prestes a pedir uma bica tenta algo diferente e não desprezes as sensações e sentimentos que podes tirar de uma simples chávena de chá quando apreciada no lugar certo na hora certa.
??:?? ??/??/????
Há uma melancolia idiota a estas horas que é acentuada nos dias que se sentem como Domingo. Digo isto porque há dias-não-Domingo que podem sentir-se como tal, como a terça-feira de Carnaval, por exemplo.
E mesmo eu, que infelizmente não vou trabalhar amanhã, sinto o peso do Domingo nas costas.
Há um sono, um cansaço que parece vindo de uma grande viagem terminada numa grande discussão. Mas não houve nada disto. E o sono é apenas ultrapassado por uma estranha vontade de não dormir para não ser apanhado desprevenido pelo mundo que ainda gira. Enquanto dormimos esta bola azul roda vertiginosamente...
É nestas estranhas alturas, em que não me apetece comer embora tenha fome, em que não quero adormecer embora tenha sono, em que estou farto de toda a música que me chega aos ouvidos mas temo o silêncio, em que quero falar com pessoas mas não tenho paciência para ouvir ninguém...
...é nestas peculiares alturas que pergunto o que raio faço aqui? Não haverá um lugar no mundo onde precisem de alguém para ajudar numa revolução, num motim, numa revolta? A vida parece tão parada.
Oh Deus, porque me largaste logo aqui debaixo deste sol? Porque estou eu em 2008, em Portugal, se podia estar noutro ano qualquer em outro lugar?
Haverá alguma coisa a fazer por aqui que eu ainda não tenha percebido?
E tu que me lês, se precisares de ajuda, diz...
A música liberta
A semana passada fui tocar com a minha banda à festa de Natal de uma prisão, Caxias.
Kms de arame farpado, grades, paredes, guardas. Dois portões gigantes separam liberdade de reclusão.
Foi um choque ver como a vida ali é difícil e uma alegria contactar com pessoas que apesar de terem cometido erros (que qualquer um cometeria em iguais condições desde o nascimento até ao momento da falha) conseguem receber melhor que muitos senhores bem na vida. A verdade é que em muitos bares e festas fui mais mal tratado do que por aqueles criminosos.
Levou-me a pensar que a pena de morte é uma barbaridade, uma oportunidade deve ser sempre dada a quem falha. E a pena capital não resolve nada para a sociedade.
Na memória fica o músico de rua que elogiou tantas vezes a banda e que daqui a oito meses está fora e nos vai voltar a ver; o chefe dos guardas que adorou a bateria (embora seja mais da onda de baterias grandes, à Led Zeppelin); a directora tão simpática; a professora de música que tanto dançou; e a banda dos reclusos que tocou o "Amor neste Natal" na sua maneira muito própria. :) Não me vou esquecer do baterista que tantas vezes me ofereceu as suas baquetas e ofereceu-se para ajudar em tudo. O serralheiro que vai agora arranjar o pedal da bateria do Estabelecimento Prisional; o guarda que já tinha visto a banda, o psicólogo que queria era ouvir Iron Maiden, o teclista gigante que cantava João Pedro Pais melhor que o João Pedro Pais e todos aqueles que contribuiram para um dos concertos mais marcantes da minha curta carreira musical.
Em sete anos toquei com várias bandas e músicos, sempre gostei de tratar os que estão "atrás" e "à frente" como iguais. Na prisão eu fui tão músico como os outros, ainda que eu tenha tido escolas de música, baterias decentes, etc. e o meu homólgo só tivesse conhecido a bateria já dentro das redes de arame farpado.

